
“Era como se a princesinha tivesse seu reino tomado por uma onda de bruxaria.” Cheia de enigmas. Quem se atrevesse entrar em seu coração se perdia em um labirinto sem fim. Complicada, ninguém conseguia a decifrar. Talvez essa fora a melhor maneira que ela achou para escapar daqueles sofrimentos costumeiros. Cautelosa, cuidava de cada detalhe, por mais insignificante que fosse. Não se perdia, ficava sempre no mesmo lugar, inerte (…) Tratava o amor com frieza, se distanciava cada vez mais do mesmo. O amor para ela já tinha ganhado outro conceito, conceito de ilusão; aparentemente bom mas que esconde por traz mil e um poréns. Isso no fim das contas foi bom, poupou tristeza, muita tristeza. Se tornou mais independente. Cansou de dar demais a quem merecia de menos e colocou em prática a tão conhecida frase “joga pro alto, se voltar é seu”. Se afastou de tudo e de todos, quem sentisse sua falta que a procurasse. Optou pela solidão ao invés de um coração partido. Chegou em seu ponto final, sua estaca zero. Não conseguia mais nem compreender o que passava dentro de si mesma. Não conseguia sentir mais nada. Havia se perdido em sua própria armadilha, na armadilha de uma garota de pedra, o que acabou contradizendo seu pensamento de que tudo isso tinha sido bom, acabou a contradizendo mais uma vez. Olhava a cena mais dócil do mundo e não conseguia sentir-se comovida. Era como se seus sentimentos fossem trancafiados as sete chaves pelas lágrimas que tanto a machucaram naquelas noites frias. Como se aquela garotinha fosse escondida atrás de uma máscara inquebrável que retratava exatamente o estereotipo de “garota de gelo”. E não era isso que ela queria. Ela queria poupar-se daquela dor que os sentimentos costumavam trazer, mas não passar a ser como uma boneca sem sentimentos, sem vida. Ser a garota sentimental que no fim sempre acaba se machucando ou a que não sente absolutamente nada? Essa foi umas das perguntas mais difíceis que ela já teve de responder. Demorou, mas ela conseguiu perceber que sentia falta de tudo aquilo. De chorar por motivos bobos e sorrir por coisas completamente sem nexo; de amar mesmo não sendo amada; de ouvir palavrar sutis mesmo sabendo que elas não valiam de nada; ela sentia saudades de tudo, até daquelas ilusões; por mais estranho que isso soe, mas ela sentia falta. Sentia falta de ter qualquer coisa parar tapar aquelas falhas dentro de si, para tapar aquele vazio interminável que já havia tomado conta de tudo. Em meses foi a primeira coisa que ela sentiu, saudade. Saudade de sentir qualquer coisa que fosse… saudade de ser novamente a princesa daquele castelo encantado. (no❥fall) ft (colaps0)










